O governo em sete
A Heptarquia é uma camada própria dos registros de Dee, organizada em torno de sete e de uma tabela de 49 bons anjos. Reis, príncipes e ministros aparecem em descrições e instruções que antecedem o uso mais conhecido das Tábuas e das Chamadas.
A ordem dos nomes na tabela dos 49 e a associação operacional entre rei e príncipe nos dias da semana não são a mesma coisa. Este guia usa os pares do capítulo 7 de De Heptarchia Mystica. Essa escolha evita reconstruir os pares apenas pela proximidade gráfica dos nomes.

Reprodução da disposição de letras ligada aos 49 bons anjos nos registros heptárquicos de Sloane 3188. As manchas e as partes pouco legíveis pertencem ao testemunho conservado. Para estudar uma grafia, compare a imagem com uma transcrição identificada e registre qualquer lacuna.
Fonte documentalOs sete pares da semana
| Dia | Rei | Príncipe | Planeta do dia |
|---|---|---|---|
| Domingo | Bobogel | Bornogo | Sol |
| Segunda-feira | Blumaza | Bralges | Lua |
| Terça-feira | Babalel | Befafes | Marte |
| Quarta-feira | Bnaspol | Blisdon | Mercúrio |
| Quinta-feira | Bynepor | Butmono | Júpiter |
| Sexta-feira | Baligon | Bagenol | Vênus |
| Sábado | Bnapsen | Brorges | Saturno |
O planeta indicado é o regente tradicional do dia. Não afirmamos que os ofícios de cada príncipe coincidam integralmente com os atributos modernos desse planeta. Carmara e Hagonel são tratados separadamente abaixo.
Bobogel e Bornogo
Domingo · SolSabedoria, ciência e filosofia. Bobogel é associado à distribuição de sabedoria e ao entendimento das artes e da natureza. Bornogo ministra sob seu governo e aparece ligado ao conhecimento dos metais e à passagem da corrupção à perfeição.
Blumaza e Bralges
Segunda-feira · LuaCriaturas e domínios invisíveis. O capítulo 7 deixa o espaço descritivo de Blumaza em branco. Bralges é apresentado em relação a criaturas invisíveis, descritas na visão como pequenas fumaças sem forma. Não completamos a lacuna de Blumaza com poderes inventados.
Babalel e Befafes
Terça-feira · MarteÁguas, mares e seus segredos. Babalel é chamado de rei nas águas. Befafes é associado aos mares, seus movimentos, seres e tesouros. O vínculo com terça-feira não transforma automaticamente esses ofícios em uma descrição genérica de guerra ou coragem.
Bnaspol e Blisdon
Quarta-feira · MercúrioA terra e seus mistérios. Bnaspol recebe o domínio da terra e de seus segredos interiores. Blisdon tem as chaves desses mistérios e governa ministros. O texto usa imagens de conhecimento do mundo terrestre, que não equivalem simplesmente a comunicação mercurial.
Bynepor e Butmono
Quinta-feira · JúpiterVida, condição e governo das criaturas. Bynepor aparece relacionado à condição geral das coisas e à renovação de mundos, povos e governos. Butmono é apresentado como vida e sopro nas criaturas. São atribuições teológicas do texto, não afirmações biológicas.
Baligon e Bagenol
Sexta-feira · VênusAções aéreas e o receptáculo de visão. Baligon é associado a operações aéreas e à obtenção do receptáculo de visão de Dee. No capítulo 7, o nome de Bagenol é seguido por um traço, sem uma exposição comparável à de outros príncipes. Isso limita o que podemos atribuir a esse perfil.
Bnapsen e Brorges
Sábado · SaturnoConfronto com espíritos e conhecimento de ações ocultas. Bnapsen é descrito em relação à expulsão de espíritos considerados maus e ao conhecimento de ações de homens perversos. Brorges aparece como seu ministro, numa visão marcada por fogo e linguagem sobre a porta da morte.
Carmara e Hagonel
Carmara aparece como autoridade geral e recebe de Uriel a vara de governo; Hagonel é apresentado como seu príncipe. O capítulo 7 inclui ambos na seção de segunda-feira e, em seguida, registra Blumaza e Bralges. O texto também aproxima nomes e funções de Carmara/Baligon e Hagonel/Bagenol em outros contextos. Reduzir essa situação a uma lista plana de reis cria confusão.
Por isso, o quadro semanal mantém Blumaza e Bralges para o par particular de segunda-feira, enquanto esta seção conserva a presença e o papel mais amplo de Carmara e Hagonel. As lacunas do manuscrito são parte da documentação.
Ministros e números
O texto menciona conjuntos de 42 ministros e divisões do dia em seis partes, além dos 49 nomes fundamentais. Esses números descrevem níveis de organização e regras de leitura; não são parcelas que se somam automaticamente para obter o total de todos os anjos enoquianos.
Fonte do estudo
De Heptarchia Mystica, capítulos 1–3 e 7. Resumos em português escritos para este site; os relatos de poderes permanecem identificados como atribuições do texto histórico.
Como interpretar os ofícios dos reis e príncipes
Os ofícios combinam imagens de governo, conhecimento e ação sobre a criação. Bobogel e Bornogo aparecem no campo da sabedoria e do aperfeiçoamento; Babalel e Befafes no das águas e dos mares; Bnaspol e Blisdon no da terra e de seus segredos. A leitura deve começar por essas descrições, antes de aplicar a cada nome um retrato genérico do planeta do dia.
O vínculo de terça-feira com Marte, por exemplo, não apaga o domínio aquático de Babalel. O vínculo de quarta-feira com Mercúrio não faz de Bnaspol apenas um símbolo da comunicação. O quadro semanal informa a ocasião e a organização do roteiro; o texto dos ofícios informa o que cada par representa nesse documento.
O que as lacunas de Blumaza e Bagenol ensinam
Uma ausência de descrição também é um dado. Quando o capítulo deixa uma lacuna ao lado de Blumaza ou não desenvolve o ofício de Bagenol, não há base para preencher esse espaço com uma lista de poderes tomada de outro sistema. O leitor pode investigar outros testemunhos, mas deve registrar a origem de qualquer complemento.
Use o mesmo procedimento para Carmara e Hagonel: anote o contexto em que aparecem como autoridades gerais e compare as passagens que aproximam esses nomes de Baligon e Bagenol. Esse cuidado permite estudar relações entre nomes sem concluir que toda forma diferente representa uma entidade independente.